Série Raízes profundas - Quando o Agricultor poda Série Raízes profundas - Quando o Agricultor poda
Mulheres Cláudia Abreo

Série Raízes profundas - Quando o Agricultor poda

Raízes Profundas

Quando o Agricultor poda

“Todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda.”
João 15:2

Ao longo desta série, temos acompanhado o caminho de uma árvore. Primeiro olhamos para suas raízes e perguntamos de onde elas estavam sendo sustentadas. Depois vimos o Agricultor se aproximar da terra, escavar e adubar aquilo que precisava ser tratado. Na última mensagem, olhamos para os galhos e fomos confrontadas pela possibilidade de existirem muitas folhas e pouco fruto.

Agora, porém, João 15 nos leva a um lugar diferente.

Desta vez, Jesus não está falando apenas sobre aquilo que não produz.

Ele fala sobre um ramo que já está dando fruto.

E justamente esse ramo é podado.

Talvez essa seja uma das verdades mais difíceis de compreender na vida com Deus, porque geralmente associamos o tratamento de Deus a alguma coisa que precisa ser corrigida. Quando Ele toca em determinada área, nossa primeira pergunta costuma ser: “Onde eu errei?”

Mas João 15 nos apresenta outra possibilidade.

Existem intervenções de Deus que não acontecem porque algo está errado.

Acontecem porque algo está frutificando.

Jesus diz que o Pai é o Agricultor. Ele conhece a videira, conhece cada ramo e sabe exatamente aquilo que pode nascer dali. Por isso, Seu olhar não está limitado ao fruto que já existe. Ele enxerga também aquilo que ainda pode ser produzido.

E então Ele poda.

Para nós, poda parece perda. Para o Agricultor, poda é preparação.

Quem olha apenas para o chão vê ramos cortados. Quem conhece a vinha sabe que existe uma próxima estação.

Talvez seja por isso que determinados processos de Deus sejam tão difíceis de interpretar enquanto estamos vivendo-os. Vemos aquilo que saiu, aquilo que terminou, aquilo que já não está em nossas mãos. Deus, porém, vê aquilo para o qual está abrindo espaço.

Isso não significa que toda perda seja uma poda de Deus. Nem todo relacionamento que termina, toda porta que se fecha ou toda experiência dolorosa deve receber automaticamente uma explicação espiritual. Vivemos em um mundo quebrado, enfrentamos consequências de escolhas — nossas e de outras pessoas — e atravessamos circunstâncias que fazem parte da fragilidade da vida.

Mas João 15 revela que existem, sim, momentos em que o próprio Agricultor intervém em um ramo saudável para conduzi-lo a uma frutificação ainda maior.

E discernir esses momentos exige confiança.

Porque a poda raramente faz sentido quando olhamos apenas para aquilo que foi cortado.

Às vezes, Deus toca em algo que considerávamos bom. Uma maneira de fazer as coisas que funcionou durante muito tempo. Uma responsabilidade que desempenhamos com excelência. Uma posição que se tornou importante. Um ritmo de vida ao qual nos acostumamos. Uma estação que foi genuinamente frutífera.

E talvez essa seja justamente a parte mais difícil.

É relativamente fácil entregar a Deus aquilo que reconhecemos como ruim.

Difícil é entregar aquilo que foi bom.

Há coisas que foram importantes para uma estação e, ainda assim, não foram destinadas a permanecer para sempre. Há formas de servir que cumpriram seu propósito. Há estruturas que nos ajudaram a crescer, mas que não conseguem nos acompanhar para onde Deus está nos conduzindo.

O fato de algo ter produzido fruto ontem não significa necessariamente que deverá permanecer amanhã.

A poda nos ensina que Deus não é apenas Senhor daquilo que precisa morrer.

Ele também é Senhor daquilo que floresceu.

Talvez você já tenha vivido uma estação assim. Estava servindo, caminhando, produzindo, fazendo aquilo que acreditava ter recebido de Deus e, de repente, alguma coisa mudou. Uma porta se fechou. Uma função terminou. Uma direção que parecia tão clara começou a perder sentido.

Nessas horas, é natural perguntar: “Por quê?”

Mas talvez exista outra pergunta:

“Senhor, o que o Senhor deseja produzir em mim nesta nova estação?”

A poda desloca nosso olhar daquilo que perdemos para aquilo que Deus está formando.

Isso não elimina a dor.

Um corte continua sendo um corte.

Há despedidas que doem. Há mudanças que nos desorganizam. Há estações que gostaríamos de prolongar. E não precisamos fingir que essas experiências são fáceis para demonstrar confiança em Deus.

A maturidade não está em negar a dor da poda.

Está em confiar nas mãos do Agricultor enquanto ainda não conseguimos enxergar o próximo fruto.

Talvez seja justamente por isso que Jesus começa João 15 dizendo: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor.”

Antes de falar da poda, Ele revela quem segura a tesoura.

O ramo não está entregue ao acaso.

Existem mãos cuidando da videira.

E conhecer essas mãos muda a maneira como atravessamos os cortes.

O Agricultor não poda com raiva. Não corta distraidamente. Não remove porque perdeu o interesse na árvore. Pelo contrário: Jesus diz que Ele toca justamente no ramo que produz fruto porque deseja que produza mais fruto ainda.

Há propósito em Suas mãos.

Por isso, talvez algumas coisas que Deus remove de nossa vida não sejam uma declaração de fracasso.

Podem ser uma declaração de futuro.

Há coisas que Deus remove não porque você deixou de frutificar, mas porque Ele sabe quanto fruto ainda pode nascer de você.

E existe outro aspecto da poda que precisamos compreender. Quando um ramo cresce demais em determinadas direções, pode gastar sua força sustentando coisas que não contribuirão para o fruto. O Agricultor conhece aquilo que está consumindo energia sem participar do propósito daquela videira.

Nós nem sempre percebemos isso.

Podemos nos acostumar a carregar responsabilidades que Deus nunca nos pediu. Podemos dizer “sim” durante tanto tempo que já não sabemos mais discernir aquilo que realmente nos foi confiado. Podemos ocupar nossa vida com tantas coisas boas que deixamos pouco espaço para aquilo que é essencial.

Nem tudo precisa ser ruim para precisar ser retirado.

Às vezes, o inimigo do essencial não é o pecado.

É o excesso.

Excesso de compromissos. Excesso de expectativas. Excesso de responsabilidades assumidas. Excesso da necessidade de corresponder a todos. Excesso de coisas que um dia fizeram sentido, mas que hoje apenas consomem a força que deveria alimentar o fruto.

A poda simplifica.

Ela devolve direção à vida.

Talvez Deus não esteja pedindo que você faça mais nesta estação.

Talvez esteja perguntando o que pode ser retirado.

O que você está carregando apenas porque sempre carregou?

O que já cumpriu seu propósito, mas você tem medo de soltar?

Que responsabilidades nasceram de um chamado e quais nasceram da necessidade de ser necessária?

Que “sim” precisa se transformar em “não” para que o essencial volte a receber sua força?

São perguntas desconfortáveis, mas a poda nos convida a fazê-las.

Porque Deus não está interessado apenas em quantidade de atividade.

Ele procura fruto.

E existe algo ainda mais profundo em João 15. O ramo podado não recebe a orientação de tentar produzir mais fruto sozinho. Logo depois, Jesus diz: “Permanecei em mim.”

Isso significa que a resposta para a poda não é esforço.

É permanência.

Quando alguma coisa é retirada, nossa tendência é preencher rapidamente o espaço vazio. Procuramos outra função, outro projeto, outra ocupação, alguma coisa que nos devolva a sensação de produtividade.

Jesus nos convida a fazer o contrário.

Permaneça.

Talvez o espaço criado pela poda não precise ser imediatamente preenchido.

Talvez ele precise permanecer vazio por algum tempo para que a vida da Videira volte a percorrer lugares que estavam sobrecarregados.

Existe uma frutificação que somente acontece depois que aprendemos a não preencher todos os espaços.

A poda nos devolve ao essencial.

À Videira.

À Fonte.

À presença.

E, de alguma maneira, voltamos ao lugar onde começamos esta série: de onde você está sendo sustentada?

Porque somente um ramo profundamente ligado à Videira consegue atravessar a poda sem acreditar que perdeu sua identidade.

Aquilo que foi cortado não era a fonte da sua vida.

Cristo continua sendo.

Se você estiver atravessando uma estação em que Deus parece estar simplificando sua vida, não tenha pressa para reconstruir aquilo que Ele talvez esteja pedindo que você entregue.

Permaneça.

Observe.

Escute.

Deixe que o Agricultor faça Seu trabalho.

Talvez você ainda esteja olhando para os ramos no chão enquanto Deus já está olhando para a próxima estação.

E quando ela chegar, talvez você compreenda que a poda nunca foi o destino.

O destino sempre foi o fruto.

Mas ainda existe uma pergunta: que fruto é esse?

Jesus não nos escolheu apenas para produzir muito. Em João 15:16, Ele revela algo ainda mais belo: fomos escolhidas para dar fruto e para que esse fruto permaneça.

É sobre isso que vamos conversar na última mensagem da série Raízes Profundas:

Escolhidas para frutificar — um fruto que permanece.

Voltar
Compartilhar: